História

RESUMO HISTÓRICO  E CRONOLÓGICO DA PRIMEIRA IGREJA PRIMEIRA BATISTA EM DIVINÓPOLIS

Autor: Elizeu Ferreira

A história da Primeira Igreja Batista teve um começo, de certo modo, diferente de outras Igrejas batistas do nosso Estado. O que mais prende a atenção de quem procura pesquisar apuradamente as verdades sobre os batistas que para aqui vieram, encontra uma causa direta para esse começo: a Estrada de Ferro Oeste de Minas.

1890 – No dia 30 de abril chega ao Arraial do Espírito Santo (antigo nome de Divinópolis) o primeiro Trem de Ferro da Estrada de Ferro Oeste de Minas (E. F. O. M.) e com ele o progresso que assustou todo o Arraial. Vejamos, pois, os acontecimentos:

1913 – O primeiro protestante a aportar em Divinópolis era um maquinista da Estrada de Ferro Oeste de Minas, o Sr. Virgílio Braga, com sua família, que eram evangélicos presbiterianos. Os escritores do livro “Da História de Divinópolis” relatam o seguinte: “Foi o primeiro a divulgar a Bíblia em Divinópolis. Sua religião o marginalizou numa terra de católicos por excelência”. Esta é a época que em Divinópolis começava a ser pregado o Evangelho de Cristo. Com isso, a Igreja Católica e seus dirigentes ficaram apavorados, pois, como foi escrito no livro Memorial de Divinópolis: “que a Igreja Católica não era mais a única condutora de almas na Vila”. Como vimos, o Evangelho começava a ser divulgado abertamente.

Pouco tempo depois, por volta de 1914, a esposa do Sr. Virgílio teve uma complicação com sua gravidez, vindo a falecer. Ao providenciar seu sepultamento, o Sr. Virgílio foi impedido pelo Vigário local, o Padre Matias Lobato, de concretizar o referido sepultamento daquela que chamava-se Dona Minelvina Augusta da Silva Braga, porque era protestante e o Cemitério dirigido pela Igreja Católica, embora ferindo a decisão do Art. 72 § 6 da Constituição Federal de 1891. Com o auxílio do Patriarca Francisco Machado Gontijo, o Senhor Vigário concordou em sepultá-la.

Com toda essa celeuma criada, Divinópolis tinha um Estatuto e um Regimento Interno da Câmara, que obrigava o sepultamento de corpos humanos no cemitério local, sob pena de multa de cinqüenta a cem mil reis a quem infringisse tal lei. Mas, a tal lei não podia ser executada porque o Senhor Antônio Olimpio de Moraes, Presidente da Câmara Municipal de Divinópolis na época, o qual tinha o status de executivo, simplesmente era um dos CONSELHEIROS do Senhor Vigário Padre Matias Lobato, juntamente com o Patriarca acima mencionado.

O argumento usado pelo Patriarca para defender a causa do Sr. Virgílio era de que o Cemitério do Rosário, quando foi bento pelo Padre Guarita de Pitangui era de tamanho menor, posteriormente havia sido aumentado e tal lugar não teria sido benzido, sendo assim seria ali o local certo para tal sepultamento, a ser reservado como Campo do Pagão.

1914 – Os Batistas chegam a Divinópolis. Os primeiros membros de uma Igreja Batista que pisaram na terra do Divino foram os senhores Lauro Carlos Ferreira, Manoel Elesbão da Silva e Osório Ferreira, vindos de Capela Nova de Betim para trabalharem em uma firma de construção da Estrada de Ferro Oeste de Minas aqui mesmo em Divinópolis.

1915 – Em fevereiro, o Missionário Pastor Florentino Ferreira visita os evangélicos em Divinópolis.

1916 – No princípio desse ano chega a família de Eleázero Ferreira da Fonseca e, no fim do mesmo ano, a família de Antônio da Costa Rangel, engrossando a coluna Batista em Divinópolis.

Os batistas promoveram a Conferência Protestante, como é registrada na História de Divinópolis, que aconteceu no dia 23 de agosto no Hotel Pereira. Era o primeiro culto ao ar livre em Divinópolis, que os historiadores da época classificaram como uma Conferência. No dia 30 de setembro visita Divinópolis o Pr. Henrique Edwin Cockell.

1917 – O Pastor Daniel Franck Crosland visita a futura Igreja Batista em Divinópolis.

1918 – Foi organizada a Congregação Batista da 1ª Igreja Batista de Belo Horizonte, com a certeza de que em breve seria organizada em Igreja. Neste mesmo ano, o trabalho batista local já contava com aproximadamente 55 pessoas nos cultos, e como já tinha a assistência periódica dos pastores O. P. Madox e H. E. Cockell, já reuniam-se em um cômodo alugado na Rua Itapecerica (antiga Rua da Cava) quase esquina com a Avenida da Independência (hoje Av. Osvaldo Machado Gontijo). Os cultos já eram bem concorridos e não comportavam mais as reuniões nos lares. Pr. Cockell, já como dirigente dos batistas locais, nomeia uma comissão para escolher melhor o local para compra de um terreno a fim de que fosse construído o templo e organizada a Igreja local. Assim ficou composta a Comissão: Antonio da Costa Rangel, Eleázaro Ferreira da Fonseca e Levindo Ferreira. O terreno foi localizado e o processo de compra foi iniciado. O Farmacêutico Pedro Xavier Gontijo, certa vez escreveu o seguinte em seu boletim “Conversando com os Divinopolitanos” nº 242, de fevereiro de 1965, fazendo referência à Comissão formada para a compra do terreno:

“Em 1919 eu era o presidente do Diretório Político de quase a totalidade do Município. Procurou-me os velhos amigos Antonio da Costa Rangel, Eleázaro Ferreira e Levindo Ferreira, comunicando-me que iam fundar uma Igreja Batista em Divinópolis, solicitando a minha boa vontade. Respondi logo: Eu ofereço gratuitamente o terreno para construção do Templo”, ao que replicaram: “os Batistas não aceitam gratuitamente bens de erário público”. E requereram e pagaram legalmente o terreno”.

1919 – No mês de março, a Câmara Municipal de Divinópolis vota uma Lei Municipal de Nº 57 que autoriza o Senhor Presidente  da referida Câmara a vender, mediante escritura pública, um terreno aos batistas, à razão de 200 reis o metro quadrado. O terreno comprado pela Igreja tinha aproximadamente 6325 metros quadrados.

1919 – No dia 02 de abril muda, em definitivo, para Divinópolis o Pr. H. E. Cockell vindo de Belo Horizonte. Sob a orientação dos Pastores Ottis Pendlenton Maddox, pastor da Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte, o Missionário Daniel Frank Crosland e o Pastor local, H. E. Cockell, no dia 27 de julho é organizada a Igreja Batista em Divinópolis, contando inicialmente com 31 membros.  Neste mesmo dia foi lançada a Pedra Fundamental, com a presença de quase 100 pessoas. Falaram no lançamento os Pastores H. E. Cockell, O. P. Maddox, D. F. Crosland e o Farmacêutico Sr. Pedro X. Gontijo.

Ignorando o documento que em 1911 foi assinado para cumprir as exigências da Lei Estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, o Padre Vicente Soares moveu um processo judicial contra a Igreja Batista tentando reaver o terreno dos batistas. O Senhor Vigário não percebeu que o tal processo não deveria ser contra a Igreja Batista, e sim contra a Câmara Municipal, que foi a vendedora e assumiu o processo impetrado no dia 20 de outubro de 1919 em Belo Horizonte, junto ao Juiz Seccional do Estado de Minas Gerais contra a Igreja Batista. Provando que não houve invasão de terras pela Igreja Batista, como era relatado na petição inicial, no dia 22 de junho de 1931 foi encerrado o dito processo a favor do Município.

1920 – Acontece no dia 08 de janeiro a manifestação do Jornalista João Manoel Ferreira Pena, do jornal “O Reformador”, um jornal da cidade na época, pedindo autorização da Igreja Batista para divulgar os batismos que seriam realizados no dia 11, no Riacho do Catalão. Hoje, isso não acontece, pois, a imprensa tem liberdade de ação.

Neste mesmo ano Divinópolis hospeda a terceira Assembléia da Convenção Batista Mineira, que tinha como Presidente o Pr. H. E. Cockell e como Presidente da Junta Administrativa, o Senhor Antonio da Costa Rangel.

A Igreja neste mesmo ano vivia três grandes expectativas:

1º) Estava em pleno andamento a construção do Templo;

2º) Tinha o prazo pré-determinado pela lei municipal nº 57, que autorizou a venda do terreno;

3º) Estava também na expectativa quanto ao processo que a Igreja Católica movia contra a Igreja Batista, que a Câmara Municipal foi chamada como ré.

1922 – No dia 30 de abril, dá-se a inauguração do Templo, que era o mais bonito de Minas e um dos mais bonitos do Brasil, e era o prédio mais bonito de Divinópolis.

1923 – No mês de outubro a Câmara Municipal de Divinópolis cobra a construção do Colégio Batista, que começou a funcionar bem antes do término da construção. Sua primeira professora foi Noêmia Cockell, filha do Pastor Cockell.

1926 – Pastor H. E. Cockell deixa o Ministério Pastoral da Igreja, mudando-se para Belo Horizonte, onde foi trabalhar na sede Convenção Batista Mineira.

1927 – Assume como Pastor da Igreja o Pastor Florentino Ferreira, um pastor missionário, pois, durante o tempo que esteve em Divinópolis, visitava de trem ou a cavalo até o Triângulo Mineiro. Seu ministério aqui foi de grande progresso para a Igreja. Em 1939, Pastor Florentino se transferiu para Araguari, no Triângulo Mineiro.

1939 – Assume como pastor da Igreja, o Dr. W. H. Barry, que ficou na direção da Igreja até no ano de 1941. Como o período era muito crítico, estando o Brasil em período de guerra, não era diferente em relação à Igreja Batista, que tinha que se desfazer de parte do seu patrimônio para que fossem honrados os compromissos financeiros.

1941 – O Pastor H. E. Cockell reassume novamente a direção da Igreja. Nesta época é modificada a fachada do templo. O Pr. Cockell ficou na direção da Igreja até 1950. O Pr. Cockell faleceu aos 82 anos, em Belo Horizonte, no dia 22 de dezembro de 1962.

Ainda na década de 40, quando estava ainda sob a direção do Pastor Cockell, havia um Soldado da Polícia Militar que tinha a graduação de “Cabo”, chamado Sr. Vantuil, conhecido por entrar a cavalo nos bares para beber sua cachaça. Em certo dia de domingo, na hora da Escola Bíblica Dominical, o Cabo Vantuil, como era de seu feitio, estava disposto a entrar a cavalo no Templo durante o culto matinal. Quando já estava tudo determinado, a Igreja começou a cantar o hino, que dizia em sua letra “Manso e suave Jesus, convidando”. Ao ouvir tal hino, prestou atenção no que a letra dizia, e resolveu entrar assim “manso e suave”, sem o cavalo, assistiu o culto e tudo que ali acontecia. O Sr. Vantuil foi convertido naquele dia e jamais deixou de servir a Deus até o dia em que foi levado ao Trono Celestial.

1950 – Assume o ministério da Igreja o jovem Pastor José Alves da Silva Bittencourt, que teve aqui o seu primeiro ministério. O Pastor Bittencourt jovem ainda tinha como ovelha um dos Patriarcas Batistas do Brasil, o Pastor H. E. Cockell, que estava aposentado e continuava como membro da Igreja. Seu ministério durou até 1960, quando assumiu o cargo de Secretário Auxiliar da Junta Executiva da Convenção Batista Mineira, em Belo Horizonte.

1961 – Com a saída do Pastor Bittencourt, assume a Igreja o Pastor Ary Lopes, que em pouco tempo dividiu a Igreja por sua postura pentecostal, usando uma conduta não muito condizente com os batistas. Esta divisão ocorreu no dia 24 de setembro.

No dia 01 de outubro foi realizado o culto na casa do Irmão Nilo Maciel, debaixo de um pé de manga, com a presença de, aproximadamente, 80 pessoas, que ficaram firmes nas doutrinas batistas. Ali reuniram-se por alguns dias. Neste mesmo mês foi organizada aquela reunião em Congregação da Igreja Batista do Barro Preto (Belo Horizonte) da qual os batistas locais tornaram-se membros. Para reunirem-se em definitivo foi alugado o melhor salão, no melhor local da Rua Goiás, nº 362, 1º andar, local em que a igreja ficou até 1º de fevereiro de 1965.

No dia 03 de dezembro a Congregação Batista de Divinópolis foi organizada pela Igreja Batista do Barro Preto como Segunda Igreja Batista de Divinópolis, e tendo como um dos líderes o Diácono Milton Pena. O Pastor Rui Franco de Oliveira, que era o Pastor da Igreja organizadora, continuou como Pastor da nova Igreja.

1964 – Pastor Bittencourt, que era o Pastor da nova igreja, presidiu no dia 11 de outubro o lançamento da Pedra Fundamental do Templo Batista na Rua Pernambuco.

1965 – No dia 1º de fevereiro, a Igreja mudou-se em definitivo para o novo templo e aos 07 dias do referido mês foi realizada no porão o primeiro culto no novo Templo. Não havia vidros nas janelas e a porta da frente era um tapume de madeira, o piso era de cimento grosso, mas era o novo Templo onde se louvava a Deus com alegria de coração.

1967 – A Igreja Batista de Divinópolis, no mês de outubro, fez o convite oficial ao Pastor Pedro Manoel de Oliveira para ser o seu Pastor titular. No dia 05 de janeiro de 1968, a Igreja em festa, empossou o seu novo Pastor, ficando até novembro 1971, sendo substituído no dia 13 de fevereiro de 1972 pelo Pastor Bittencourt que assume a Igreja pela segunda vez, como Pastor, em uma fase de transição pastoral da Igreja.

1972 – Em novembro deste ano assume o Ministério Pastoral da Igreja o Pastor Ader Alves de Assis. No seu pastorado a Igreja terminou internamente o Templo. Foi ele presidente da Convenção Batista Mineira, bem como negociou o antigo templo da Avenida Antônio Olímpio de Morais e o terreno anexo com a Imobiliária Indaiá, para construção do Ed. Costa Rangel. Nesta época se organizou a Igreja Batista do Bom Pastor. O ministério do Pr. Ader na Igreja durou até 31 de janeiro de 1985.

1985 – Substituindo o Pastor Ader, assumiu como pastor da referida igreja, no dia 03 de agosto, o Pastor Marcos Coelho Ramos. Sob o seu comando, a Igreja organizou as Congregações de Perdigão, São José e a Igreja Batista do Bairro Danilo Passos, hoje Terceira Igreja Batista de Divinópolis. Seu ministério durou até 21 de fevereiro de 1990, sendo substituído de março de 1990 a março de 1991, em um período de transição, pelo Pastor Waltair Bragança.

1991 – No dia 09 de março de 1991 assume o Ministério da Igreja o Pastor Evaldo Carlos dos Santos, que marcou seu ministério aqui na Igreja fazendo retornar ao uso regular o nome de Primeira Igreja Batista de Divinópolis, Sendo Presidente da Convenção Batista Mineira, Reitor interino do Seminário Batista Mineiro, organizou as congregações em Carmo do Cajuru e no  Bairro Tietê, hoje Igreja Batista Redenção. Organizou a Igreja Batista de Itaúna e a Igreja Batista do Bairro São José, hoje Quarta Igreja em Divinópolis, ambas com templos próprios. Criou o programa de TV “Koinonia” e organizou o Núcleo Educacional Batista (NEB). Seu ministério durou até 12 de janeiro de 1999.

1999 – No dia 23 de janeiro deste ano assume o Ministério Pastoral da Igreja o Pastor Nildo Cândido Rosa. Em seu tempo de Ministério em nossa Igreja foram organizadas a Congregação de Abaeté, a Igreja Batista de Perdigão, que assumiu a Congregação da localidade denominada Batistas e a 5ª Igreja Batista de Divinópolis, hoje Igreja Batista Graça e Paz. Em seu ministério houve a construção do atual templo. Pastor Nildo, em novembro de 2008, deixou o Ministério Pastoral da Igreja.

2008 – Em novembro deste ano assume o Ministério Pastoral da Igreja o Pastor Arlécio Franco Costa, presidente da Convenção Batista Mineira e pastor da Igreja Batista do Barro Preto, em um período de transição.

2009 – No dia 25 de julho assume o Ministério Pastoral da Igreja o Pastor Tarcísio Farias Guimarães, vindo de Feira de Santana, Bahia, quando a Primeira Igreja Batista em Divinópolis completou seus noventa anos de lutas e glórias.